novembro 17, 2009

Poema com a barriga cheia


As palavras têm carne, batatas e molho café,
Fazem-se poema, algures
No meu verbo sangue
Saem em rolos por entre as chaminés da tarde,
Cozendo pão para as bocas esfaimadas
De justiça,
Saem broas dos livros à tarde,
Sombras que à noite adormecem
Quem padece, de qualquer fome vã.

Quem de facto tem fome é o poeta
Que a absorve
De qualquer parede da cidade
Onde está escrito,
Gaita e socorro, mãe.

Publicado por constalves em 01:46 PM | Comentários (0)

outubro 14, 2009

Deus lá no alto

Deus lá no alto,
tão acima que deixa de existir
tão pouco tão nada, um átomo,
qualquer coisa, que anda por entre nada, talvez nos teus olhos,
embora tu negues,
eu também digo não,
embora todas as aves vão em fogo por dentro do grande mar...

Publicado por constalves em 08:26 AM | Comentários (0)

outubro 11, 2009

Poema um da madrugada

Poema um da madrugada

Por detrás deste prédio está a liberdade,
Por entre os prédios e os automóveis estão
As ruas que dão aos montes e vales.
Os montes e vales estão por detrás
Desta gente.
E eu não sou capaz de ir por entre.
Formo palavras como o vento
E vou no mar de dentro,
Vou daqui para ali de pássaro
Que veio de lá por entre
Os prédios e a gente
Que não pertence
Ao meu mundo de cá e lá.

Publicado por constalves em 04:18 AM | Comentários (0)

agosto 25, 2009

Subir a montanha incessantemente

Subir a montanha incessantemente
é esta a nova aventura de Deus protagonizada pelo homem.
No fim da montanha estará novamente Ele, ou o ar, ou nada
e tudo recomeçará?

Publicado por constalves em 08:21 PM | Comentários (0)

agosto 16, 2009

virus

vou de encontro a todos,
não gosto de luas e outros astros,
não sou um cometa, rasgo ideias
e encurto caminhos,
elaboro a morte,
executo as palavras,
não sou um corpo, transvisto-me de alma,
sou um pequeno crepúsculo,
mas tenho a face escarlate.
não, não sou um revólver,
sou como um virús,
sou uma bala vinda de nada.

Publicado por constalves em 11:13 PM | Comentários (0)

diário de um caminho


estou cansado,
pouso a cabeça na beira da estrada.
lá longe, no horizonte da utopia
desenha-se uma cidade,
talvez se possa construir aí uma casa
onde possam florescer novos poemas.
a minha cabeça na beira da estrada.
Não há vento esta noite,
todas as árvores recolhem o oxigénio,
porventura haverá novo dia.

Publicado por constalves em 10:41 PM | Comentários (0)